Nosso encontro, nosso motivo.

Ontem o nosso encontro foi tão bom!

Eu fiquei muito feliz de ter conhecido novas participantes, da nossa pedalada no super frio e da conversa super proveitosa que tivemos junto ao piquenique absurdamente delicioso!!!

 

Dentre muitas conversas e devaneios, surgiu mais uma vez de que temos enfrentado uma resistência muito grande de outras pessoas em entenderem a razão de existir um pedal exclusivo de mulheres.

Eu gostaria que essas pessoas ao menos procurassem entender, já que elas estão se manifestando contra. Na realidade não acho que todo mundo tem que entender ou concordar, mas tomar uma posição requer buscar informação. Não se pode simplesmente dizer “pra que um pedal exclusivo?”, “que coisa separatista!”, etc., sem fazer nenhuma tentativa para saber do que se trata.

Acreditando que muitas dessas pessoas apenas não tiveram a oportunidade de compreender ainda, procuro o diálogo.

A primeira coisa que me vem à cabeça é que nem sempre é percebido que a sociedade em que vivemos é que é separatista. E isso acontece justamente por sermos bombardeadxs desde que nascemos com conceitos, e estes passam a serem encarados como coisas “naturais” da nossa existência. Quando nascemos, somos identificadxs como meninas ou meninos. Com esta constatação junto se trilham diferentes caminhos. A começar pela cor da roupinha do bebê. O azul ou rosa não é uma escolha, é uma convenção, que para nós quando bebês tanto faz! Não estou dizendo que as pessoas não possam vestir suas filhas e seus filhos com roupas azuis ou rosas, mas estou tentando contextualizar a questão que é muito profunda e por isso um tanto difícil. Depois são nossos brinquedos e brincadeiras que são mais ou menos estimulados de acordo com nosso sexo, isso quando não são proibidos.

A postura e a maneira de agir também é ensinada diferencialmente. Digamos que para um menino se estimula que ele seja mais ativo, mais sapeca, mais independente. Ao passo que para uma menina, se ensina que ela seja mais “calminha”, mais caseira. Então já entrando na questão da bicicleta, pra encurtar, não é que pedalar é proibido às mulheres, mas que somos “conduzidas” de forma a não nos aventurarmos tanto quanto os nossos irmãos, colegas, amigos. Se não é em casa que nossa família faz essas diferenças no tratamento, vamos enfrentá-las na escola, com xs vizinhos,etc. E em toda nossa vida vai seguir acontecendo essa diferenciação cultural e social, onde comportamentos e escolhas são esperados de nós conforme o nosso sexo.

Esta diferenciação ao meu ver não é positiva nem para mulheres nem para homens! E eu acredito que o feminismo é uma luta de todxs, que liberta tanto mulheres quanto homens dos dogmas que acabam nos escravizando. Em todo o caso, essa é uma opinião pessoal.

Já as Cíclicas nem é consenso que é uma iniciativa feminista!

Mas o que acontece entre nós é uma vontade muito grande de estarmos juntas promovendo a bicicleta entre as mulheres, estimulando que pedalemos, que tenhamos coragem de sair nas ruas, que sejamos independentes numa sociedade onde a mulher é ainda mais respeitada quando acompanhada por um homem. E como pode essa vontade de nos organizarmos ser problema para alguém? Existe nestas pessoas uma vontade de ter algum controle sobre nossas vontades e objetivos? Eu não consigo sinceramente entender esta oposição. Talvez os homens se sintam excluídos e com isso ficam chateados. Primeiro gostaria de dizer que não são todos que assim se sentem, tem vários apoiadores e incentivadores da iniciativa. Mas para os que sentem que estão sendo excluídos, é bom refletirem sobre nossa motivação e saberem que não é esta com certeza. O que queremos é criar um espaço onde nós as mulheres possamos exercer capacitação, independência, amizade e solidariedade com diversão.

Fazendo uma comparação com a Massa Crítica, podem carros ou motos na massa? Existe uma razão para isso? O pedal para mulheres não tem o porquê de existir se não for só para mulheres, é justamente daí que nasce a idéia, eu diria, a necessidade.

E para as mulheres que não se sentiram à vontade ainda, ou que também questionam nossa existência, fazemos um convite para que venham a um encontro! Afinal, nada está formado, estamos construindo constantemente nossas relações, nossos trajetos, nossos objetivos! Venha pedalar e discutir seus pontos de vista! Não perca a oportunidade de participar de uma coisa que você pode gostar! Não seja ranzinza! Vem! Vem pras Cíclicas vem!

 

 

Ontem ficou decidido que vamos fazer ainda mais cedo nosso encontro! Pois algumas moram longe e o inverno tá pegando! Então combinamos que vamos ter horário de verão e horário de inverno com 2 horas de diferença ao invés de 1. O local já não é o mesmo também, mas é do ladinho.

 

Segue:

Horário de inverno, 15h o encontro, saída às16h.

Horário de verão, 17h o encontro, 18h a saída.

 

Nos Arcos da Redenção.

 

Todo 1º domingo do mês.